Enquanto você decide o que postar, o mercado já decidiu o que pensa de você.
Você pode nunca ter pensado nisso como marca pessoal, mas já tem uma. Ela existe na forma como você é vista no trabalho, no comentário que fazem sobre você no seu círculo social, no que aparece quando alguém dá uma olhada no seu Instagram. Isso começa muito antes de você ter uma carreira formada, no jeito como as pessoas te percebem no dia a dia, sem você necessariamente escolher isso.
Arthur Bender passou 38 anos trabalhando com branding e marketing de marcas, período em que planejou nomes como Gerdau, Marcopolo e Wine.com, antes de virar, no Brasil, o nome mais associado ao conceito de marca pessoal. Em Personal Branding: Construindo Sua Marca Pessoal, ele pega as mesmas regras que usava para posicionar essas marcas e vira essas regras contra o próprio leitor: se uma marca de produto precisa de DNA estruturado para não se perder no meio da prateleira, uma pessoa também precisa. Sem esse DNA, você não compete. Só ocupa espaço.
A consistência importa mais do que o talento
Aqui está o ponto que mais gente ignora. Não é o profissional mais talentoso que constrói a marca pessoal mais forte. É o mais consistente.
Pense em alguém que você admira profissionalmente. Provavelmente você consegue descrever o que essa pessoa representa em uma frase. Isso não aconteceu por acaso. Aconteceu porque, em cada ponto de contato, um post, uma reunião, um comentário, uma proposta, essa pessoa reforçou a mesma promessa de valor, sem contradição. É exatamente esse o problema que Bender ataca quando fala em reposicionamento: a marca pessoal desalinhada não precisa ser refeita do zero, precisa ser realinhada ao DNA que já existe, só que disperso.
Você pode ser talentosa e ainda assim invisível, se a mensagem que você transmite muda dependendo do dia, da plataforma ou do humor. O mercado não recompensa quem é mais qualificado. Recompensa quem é mais previsível de um jeito bom, porque previsibilidade gera confiança, e confiança é o que abre portas antes mesmo de você pedir.
Diferenciação não é sobre ser diferente por diferente
Outro erro comum é confundir marca pessoal com originalidade forçada. Não é sobre ter uma cor de cabelo diferente ou uma frase de efeito exclusiva. É sobre ter uma promessa de valor clara, que ninguém mais consegue entregar do jeito que você entrega. Bender chama isso de alavancagem: você não inventa um diferencial do nada, você identifica o que já está no seu DNA e aplica força ali, no ponto certo, para que ele fique visível de longe.
Pergunte a si mesma o que você resolve, pra quem, e por que especificamente você é a pessoa certa pra isso. Se a resposta for genérica, sua marca também vai ser.
O DNA não se inventa, se organiza
Ninguém nasce com marca pessoal pronta, mas também ninguém precisa criar uma do zero. O trabalho de Bender parte de uma constatação prática: o material já existe, espalhado em cada decisão que você tomou até aqui, cada projeto que assumiu, cada jeito de resolver problema que virou sua marca registrada sem placa. Gestão de marca pessoal não é fabricar uma imagem nova. É organizar o DNA que já está ativo e parar de deixar pedaços dele se perderem em versões contraditórias de você.
A próxima pessoa que comentar alguma coisa sobre você, num grupo de WhatsApp, numa reunião, numa DM, vai estar repetindo um fragmento desse DNA. A escolha que sobra não é se esse fragmento existe. É se ele nasceu do que você organizou, ou do que ficou solto por aí.
Referências:
Bender, Arthur. Personal Branding: Construindo Sua Marca Pessoal. Integrare Editora, 2009.
Site oficial: arthurbender.com
Colunista: Jéssica Horrana.
